Este artigo aborda o andamento e a dinâmica na música, mostrando exemplos práticos aplicados ao clarinete, através de repertório.
O andamento na música está relacionado com a duração do som e do silêncio. Este pode ser lento, médio e rápido. Normalmente, o andamento é apresentado no início da música, e pode ter termos italianos ou medidas exatas do uso de metrónomo (Med, 1996).
Os diferentes andamentos podem apresentar a seguintes características: nos andamentos lentos, podemos ter andamento Lento (significa devagar, a marcar a velocidade de 50-54); ou por exemplo, andamento Adagio (mais rápido do que o Lento, que vai de 54-58). Nos andamentos intermédios, temos por exemplo, o Moderato e o Allegretto (que é mais lento do que o Allegro). Nos andamentos mais rápidos, há o Allegro, e por exemplo, o Presto (mais rápido do que o Allegro e o Vivo). No decorrer da obra musical, podem surgir alterações nos andamentos, com os seguintes termos: accellerando, Piu mosso, Piu vivo, entre outros.
A dinâmica consiste no grau de intensidade do som. Esta apresenta vários níveis, podendo começar em molto pianissímo (ppp), e percorrer graus mais intermédios de intensidade (como mezzo forte – mf), ou chegar a fortíssimo (ff). Também há níveis de maior intensidade, como pppp. A estes termos, podem ser acrescentadas palavras, como poco (poco piano), ou molto forte (muito forte). Também pode surgir na partitura, a indicação de piano súbito. Podem surgir sinais como crescendo e diminuendo, e sinais de acentuação, como acentuado, marcato, e tenuto.
Em relação aos elementos musicais falados anteriormente, estes podem ser encontrados e aplicados em obras musicais para clarinete. Temos o exemplo, da obra musical “Canzonetta” de Gabriel Pierné, onde podemos observar a indicação de diferentes andamentos e dinâmicas, entre outros aspetos. A obra foi composta para clarinete e acompanhamento de piano, onde nesta fase, focaremos na parte de clarinete. Logo no início da obra, há a indicação de andamento Andantino moderato, com a marcação da semínima a 60. No decorrer da obra, surgem indicações como Un poco rubato (no compasso 4), um poco rit. (retarda o andamento), A tempo (neste caso, volta ao tempo inicial). Também surge o Piú lento, na segunda página (o andamento fica mais lento), um poco ritenuto antes do 1° tempo (onde também retarda o andamento).
Em relação às dinâmicas presentes na “Canzonetta”, podemos encontrar ppp, pp, p, crescendos e diminuendos, acentuação e notas com a indicação de tenuto. O ppp está presente nos últimos dois compassos da obra, passando a mesma dinâmica pelos diferentes registos do clarinete. É de observar que a última nota musical (fá agudo), tem a indicação de ppp também, sendo importante uma boa colocação firme da embocadura, e bom controlo da coluna de ar. A obra apresenta várias vezes, acentuação nas colcheias com ponto, e indicação de tenuto também em várias colcheias (no Piu lento). O som com tenuto deve ser sustendado, sem diminuir ou aumentar a intensidade.
Outra obra musical que pode ser analisada do ponto de vista de andamento e dinâmica, é o Concerto n° 1 in C Minor, Op. 26, de Louis Spohr. Segundo a Wikipédia (2025), a obra foi composta entre 1808 e 1809, e publicada em 1812. Apresenta 3 andamentos: 1° andamento consiste em Adagio – Allegro; o 2° andamento Adagio; e o 3° andamento consiste num Rondo (Vivace).
Neste artigo, focaremos a análise sobre o 3° andamento (Rondo). Em relação aos diferentes elementos presentes neste andamento, podemos encontrar uma suspensão antes da letra B, um rit. (ritardando, que retarda o andamento) antes da letra C, e um A tempo, imediatamente logo a seguir ao Rit., na letra C. Antes da letra H, também surge um Rit., e logo de seguida, o A tempo no início da letra H. No que diz respeito às dinâmicas presentes no 3° andamento, estas vão desde pp até forte com crescendo gradual. Logo no início, temos a indicação de p (piano), e Fz (forzato) em vários compassos, como em algumas notas das primeiras duas pautas. Já apartir da letra A, surgem várias acentuações sucessivas, na primeira semicolcheia de cada tempo. Este efeito repete-se, por exemplo, entre as letras D e E, e dez compassos após a letra I. Por vezes, surgem colcheias em forte e curtas (com pontos debaixo das notas).
Referências bibliográficas
Med, B. (1996) Teoria da Música. Brasília. Musimed.
Wikipédia (2025) Concerto para Clarinete n° 1 Spohr. https://en.m.wikipedia.org/wiki/Clarinet_Concerto_No._1_(Spohr)
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