Para emitir os primeiros sons no instrumento, é recomendado começar com notas de fácil execução, que requerem poucos dedos. Podem ser as posições da mão esquerda no corpo superior (notas dó, ré, mi, fá, sol). Antes de usar o instrumento todo, pode utilizar-se apenas a boquilha, abraçadeira e a palheta para a formação da embocadura. Depois de uma formação adequada da embocadura com a boquilha, pode utilizar-se no passo seguinte todo o instrumento, começando, como mencionado, por tocar notas da mão esquerda, e posteriormente com as duas mãos.
Antes de avançar para a formação da embocadura, partilho um exercício de palavras cruzadas sobre o tema, para quem tiver interesse. Basta clicar em Palavras cruzadas.
Para uma formação de embocadura simples correta, coloca-se a boquilha sobre os lábios, onde o lábio inferior fica virado para o interior da boca. A boquilha fica no lábio superior e a palheta no lábio inferior, sem estarem em contacto direto com os dentes. Depois de inserida a boquilha na boca, esta deve ser bem fechada, para não haver fugas de ar pelos cantos da boca. Todo este processo pode ser repetido várias vezes, numa fase inicial, apenas com a boquilha e palheta, e posteriormente com o instrumento todo, de preferência em frente ao espelho (para visualizar os erros comuns e corrigir).
Imaginar a formação da embocadura com soprar numa palhinha, pode ajudar. Ao soprar numa palhinha, reparamos que os lábios ficam bem envolvidos, sem fugas de ar, e direcionados para o centro da boca. isto é equiparado a tocar clarinete, onde os lábios ficam bem envolvidos na boquilha e palheta.
Outro ponto a ter em consideração na emissão dos primeiros sons, é ter em conta não apertar demasiado a palheta com o lábio inferior. Isto pode resultar em guinchos (sons de alta frequência e desagradáveis ao ouvido), que podem dificultar a execução.
Para tocar clarinete corretamente, é necessário ter em atenção a afinação. Esta se estiver na altura justa é considerada justa, se estiver mais baixa do que a nota pretendida, é considerada descida, e se estiver mais alta pode dizer-se que está subida (Allorto, 2007). A tocar clarinete, podemos ter o auxílio do afinador, ou então recorrer a algumas estratégias para corrigir a afinação, se necessário:
- Corrigir a afinação no instrumento diretamente – neste ponto, pode retirar-se uma pequena parte do barrilete para baixar a afinação, ou então ir ajustando o mesmo até corrigir. Também se pode recorrer à campânula, para ajustar a afinação;
- Corrigir a afinação com a embocadura e a pressão de ar exercida – outra opção, por exemplo, é alargar um pouco com os lábios a palheta, de modo a baixar a afinação;
- Utilização de dedos no instrumento para corrigir e timbrar mais os sons – uma forma de corrigir a afinação, principalmente nas chamadas notas de garganta (notas tocadas na parte superior do instrumento, como sol e lá), é com a utilização de dedos auxiliares. Neste ponto, há várias formas de utilização dos dedos, onde por exemplo, pode colocar-se na nota sol (da segunda linha na pauta musical), os dois dedos indicador e médio, nos orifícios da mão direita. Já para a nota sol sustenido (do segundo espaço da pauta musical), pode utilizar-se para além da chave da respetiva nota, o dedo anelar no orifício da mão esquerda, e o dedo indicador no orifício da mão direita.
A dinâmica (intensidade dos sons) na música, está relacionada com a passagem, que pode ir de pianíssimo a fortíssimo, passando por graus intermédios (como meio forte). Na pauta musical, pode ser representada por siglas, tanto na parte inferior das notas, como na parte superior. De seguida, é apresentado um exercício para praticar dinâmicas no clarinete:
- O exercício consiste em tocar a escala cromática lentamente (por exemplo, a 60 com metrónomo). A primeira nota consiste num crescendo, e a segunda nota num diminuendo, e assim sucessivamente, até à nota mais aguda que conseguirmos. Ao tocar o exercício, o executante pode ter em consideração a respiração, que vai influenciar na qualidade sonora. A respiração pode ser feita calmamente (em quatro tempos), onde se pode sentir os pulmões a encherem de ar, sem a elevação dos ombros. Já na expiração, é feita força abdominal, de forma a conseguir aguentar os oito tempos das duas notas. É de reparar, que a embocadura deve manter-se firme entre os diferentes registos.
Em forma de síntese, de seguida é apresentado um infográfico sobre a embocadura, afinação e dinâmicas no clarinete.

Referências bibliográficas
Allorto, R. (2007) Breve Dicionário da Música. Edições 70, Lda.